Gênesis - 4 - Notas - Biblia de Estudo Pentecostal.

4.1 CONHECEU ADÃO A EVA, SUA MULHER.

A palavra conhecer é muito empregada na Bíblia para significar vida íntima conjugal. Observe-se que Eva, ao ter seu filho, louvou de coração ao Senhor pela criança. Ela procurava andar em retidão com Deus, agradecida por seu amor, perdão e socorro.

4.3-5 UMA OFERTA AO SENHOR.

O Senhor aceitou a oferta de Abel, porque este compareceu diante dEle com fé genuína e consagração (Hb 11.4; 1Jo 3.12; Jo 4.23,24). A oferta de Caim foi rejeitada porque ele estava destituído de fé sincera e obediente, e porque as suas obras eram más (vv. 6,7; 1 Jo 3.12). Deus tem prazer em nossas ofertas e ações de graça tão-somente quando nos esforçamos para viver uma vida reta, de conformidade com a sua vontade (ver Dt 6.5 nota).

4.7 E PARA TI SERÁ O SEU DESEJO.

Trata-se aqui da ação do pecado sobre Adão. Uma livre tradução desta parte do versículo seria: O pecado está de tocaia junto à porta; seu desejo é possuir-te, mas tu deves dominá-lo . Deus retrata o pecado como uma força tentadora que, de modo semelhante a uma fera ou um demônio, está pronto para atacar e devorar. Por outro lado, Deus também concede aos seres humanos a capacidade de vencer e de resistir ao pecado, quando nos submetemos à sua palavra, capacitados por sua graça. É do ser humano a opção de ceder ao pecado ou a de vencê-lo (Rm 6).

4.10 A VOZ DO SANGUE DO TEU IRMÃO CLAMA A MIM.

A morte de Abel e o cuidado de Deus por ele, demonstra que Deus, no decurso de todas as eras, observa atentamente todos os que sofrem por viver em retidão diante dEle. Deus conhece o sofrimento desses justos e o dia chegará em que Ele agirá em favor deles, para fazer justiça e eliminar todo mal (Hb 11.4; 12.24).

4.11 AGORA MALDITO ÉS TU.

Caim foi amaldiçoado por Deus no sentido de Deus já não abençoar seus esforços para extrair da terra o seu sustento (vv. 2,3). Caim não se humilhou com tristeza e arrependimento diante de Deus, pois afastou-se do Senhor e procurou viver sem a sua ajuda (v. 16).

4.15 UM SINAL EM CAIM.

Talvez esse sinal deva ser entendido como posto em Caim para assegurá-lo da promessa de Deus. Caim não sofreu pena de morte nesse tempo. Posteriormente, quando a iniqüidade e a violência da raça humana tornou-se extrema na terra, a pena da morte foi instituída (9.5,6).

4.16 SAIU CAIM DE DIANTE DA FACE DO SENHOR.

Caim e seus descendentes foram os cabeças da civilização humana até hoje desviada de Deus. A motivação básica de todas as sociedades humanistas está em superar a maldição, buscar o prazer e reconquistar o paraíso , sem submissão a Deus. Noutras palavras, o sistema mundial fundamenta-se no princípio da auto-redenção da raça humana, na sua rebelião contra Deus (ver 1 Jo 5.19 nota).

4.17 CAIM A SUA MULHER.

Adão e Eva tiveram outros filhos e filhas (5.4). Caim, portanto, deve ter se casado com uma das suas próprias irmãs. Semelhante relacionamento foi uma necessidade, no início. Posteriormente, devido à proliferação dos funestos efeitos da queda e os casamentos entre parentes multiplicarem as anomalias biológicas nos filhos, esse tipo de casamento foi proibido (Lv 18.6,9; 20.12, 17-21; Dt 27.22,23).

4.19 TOMOU LAMEQUE PARA SI DUAS MULHERES.

 Lameque foi o primeiro a rejeitar o princípio do casamento monogâmico, ordenado por Deus (2.22-24). A depravação hereditária estava se alastrando progressivamente no lar e na família.

4.26 INVOCAR O NOME DO SENHOR.

 Sob o incentivo de Enos, tiveram começo as orações e o culto público ao Senhor (2 Sm 6.2; 1 Cr 13.6; Sl 79.6; Jr 10.25, onde invocar o nome do Senhor refere-se ao culto público).
Os familiares ímpios de Caim organizaram e dirigiram suas vidas em torno das artes e empreendimentos seculares, e instituíram um modo de vida voltado para a altivez e a arrogância.
A família de Sete, ao contrário, invocava o nome do Senhor , expressando assim a sua dependência dEle. Dessa forma, duas descendências totalmente diferentes foram ocupando a terra - a dos justos e a dos ímpios.

A CHAMADA DE ABRAÃO

A CHAMADA DE ABRAÃO



Gn 12.1-3 “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.”

A chamada de Abrão (posteriormente chamado Abraão, 17.5), conforme a narrativa de Gênesis 12, dá início a um novo capítulo na revelação do AT sobre o propósito divino de redimir e salvar a raça humana. A intenção de Deus era que houvesse um homem que o conhecesse e o servisse e guardasse os seus caminhos (ver 18.19 nota). Dessa família surgiria uma nação escolhida, de pessoas que se separassem das práticas ímpias doutras nações, para fazerem a vontade de Deus. Dessa nação viria Jesus Cristo, o Salvador do mundo, o prometido descendente da mulher (ver 3.15 nota; Gl 3.8,16,18). Vários princípios importantes podem ser deduzidos da chamada de Abraão. 

(1) A chamada de Abraão levou-o a separar-se da sua pátria, do seu povo e dos seus familiares (12.1), para tornar-se estrangeiro e peregrino na terra (Hb 11.13). 
Em Abraão, Deus estava estabelecendo o princípio importante de que os seus deviam separar-se de tudo quanto possa impedir o propósito divino na vida deles (ver os estudos A SEPARAÇÃO ESPIRITUAL DO CRENTE e O RELACIONAMENTO ENTRE O CRENTE E O MUNDO.). 

(2) Deus prometeu a Abraão uma terra, uma grande nação através dos seus descendentes e uma bênção que alcançaria todas as nações da terra (12.2,3). O NT ensina claramente que a última parte dessa promessa cumpre-se hoje na proclamação missionária do evangelho de Cristo (At 3.25; Gl 3.8). 

(3) Além disso, a chamada de Abraão envolvia, não somente uma pátria terrestre, bem como uma celestial. Sua visão alcançava um lar definitivo não mais na terra, e sim no céu; uma cidade cujo artífice e construtor é o próprio Deus. A partir de então, Abraão desejava e buscava uma pátria celestial onde habitaria eternamente com Deus em justiça, alegria e paz (Hb 11.9,10,14-16; Ap 21.1-4; 22.1-5). Até então, ele seria estrangeiro e peregrino na terra (Hb 11.9,13). 

(4) A chamada de Abraão continha não somente promessas, como também compromissos. Deus requeria de Abraão tanto a obediência quanto a dedicação pessoal a Ele como Senhor para que recebesse aquilo que lhe fora prometido. A obediência e a dedicação demandavam: 

(a) confiança na palavra de Deus, mesmo quando o cumprimento das promessas parecia humanamente impossível (15.1-6; 18.10-14), 
(b) obediência à ordem de Deus para deixar a sua terra (12.4; Hb 11.8), e 
(c) um esforço sincero para viver uma vida de retidão (17.1,2). 

(5) A promessa de Deus a Abraão e a sua bênção sobre ele, estendem-se, não somente aos seus descendentes físicos (i.e., os judeus crentes), como também a todos aqueles que com fé genuína (12.3) aceitarem e seguirem a Jesus Cristo, a verdadeira “posteridade” de Abraão (Gl 3.14,16). Todos os que são da fé como Abraão, são “filhos de Abraão” (Gl 3.7) e são abençoados juntamente com ele (Gl 3.9). Tornam-se posteridade de Abraão, herdeiros segundo a promessa (Gl 3.29), o que inclui o receber pela fé “a promessa do Espírito” em Cristo Jesus (ver Gl 3.14 nota). 

(6) Por Abraão possuir uma fé em Deus, expressa pela obediência, dele se diz que é o principal exemplo da verdadeira fé salvífica (15.6; Rm 4.1-5,16-24; Gl 3.6-9; Hb 11.8-19; Tg 2.21-23; ver 15.6 nota). 

Biblicamente, qualquer profissão de fé em Jesus Cristo como Salvador que não requer obediência a Ele como Senhor não é a classe de fé que Abraão possuía e, portanto, não é a verdadeira fé salvífica (ver Jo 3.36 nota; e o estudo FÉ E GRAÇA).

Gênesis 3 - Notas - Biblia de Estudo Pentecostal,

3.1 A SERPENTE. Nesse episódio, a serpente le-vantou-se contra Deus através da sua criação. Declarou que aquilo que Deus dissera a Adão não era a verdade (vv.3,4); por fim, ela foi a causa de Deus amaldiçoar a criação, inclusive a raça humana que Ele fizera à sua imagem (vv. 16-19; 5.29; Is 23.6; Rm 8.22; Gl 3.13a). A serpente é, posteriormente, identificada com Satanás ou o diabo (Ap 12.9; 20.2). Certamente Satanás controlou a serpente e usou-a como instrumento para efetuar a tentação (2 Co 11.3,14; Ap 20.2; ver Mt 4.10, nota sobre Satanás).

3.4 CERTAMENTE NÃO MORREREIS. A raça humana está ligada a Deus mediante a fé na sua palavra como a verdade absoluta (ver 2.16 nota). 

(1) Satanás, porque sabia disso, procurou destruir a fé que Eva tinha no que Deus dissera, causando dúvidas contra a palavra divina. Satanás insinuou que Deus não estava falando sério no que dissera ao casal (2.16,17). Noutras palavras, a primeira mentira proposta por Satanás foi uma forma de antinomianismo, negando o castigo da morte pelo pecado e apostasia. 

(2) Um dos pecados capitais da humanidade é a falta de fé na Palavra de Deus. É admitir que, de certo modo, Deus não fala sério sobre o que Ele diz da salvação, da justiça, do pecado, do julgamento e da morte. A mentira mais persistente de Satanás é que o pecado proposital e a rebelião contra Deus, sem arrependimento, não causarão, em absoluto, a separação de Deus e a condenação eterna (ver 1 Co 6.9 nota; Gl 5.21 nota; 1 Jo 2.4 nota).

3.5 SEREIS COMO DEUS. Satanás, desde o princípio da raça humana, tenta os seres humanos a crer que podem ser semelhantes a Deus, inclusive decidindo por conta própria o que é bom e o que é mau. 

(1) Os seres humanos, na sua tentativa de serem como Deus , abandonam o Deus onipotente e daí surgem os falsos deuses (ver v. 22 nota; Jo 10.34 nota). O ser humano procura, hoje, obter conhecimento moral e discernimento ético partindo de sua própria mente e desejos, e não da Palavra de Deus. Porém, só Deus tem o direito de determinar aquilo que é bom ou mau. 

(2) As Escrituras declaram que todos que procuram ser deuses desaparecerão da terra e de debaixo deste céu (Jr 10.10,11). Este será também o destino do anticristo, do qual está escrito: querendo parecer Deus (2 Ts 2.4).

3.6 E, VENDO A MULHER QUE... TOMOU. Ver Mt 4.1-11, nota sobre como vencer a tentação.

3.6 A MULHER... COMEU... E ELE COMEU COM ELA. Quando Adão e Eva pecaram, sua morte moral e espiritual ocorreu imediatamente (2.17), ao passo que a morte física veio posteriormente (5.5). (

1) Deus tinha dito: No dia em que dela comeres, certamente morrerás (2.17). Por conseguinte, a morte espiritual e moral ocorreu imediatamente quando pecaram (Jo 17.3 nota). A morte moral consistiu na morte da vida de Deus dentro deles, quando a sua natureza se tornou pecaminosa; a morte espiritual destruiu a comunhão que antes tinham com Deus. Depois do pecado de Adão e Eva, toda pessoa, ao nascer, entra neste mundo com uma natureza pecaminosa (Rm 5.12; 1 Jo 1.8; Ec 7.20). 
Essa corrupção da natureza humana abrange o desejo inato da pessoa seguir seu próprio caminho egoísta, ignorando a Deus e ao próximo, e é transmitida a todos os seres humanos (5.3; 6.5; 8.21; ver Rm 3.10-18 nota; Ef 2.3). 

(2) Atentemos, ainda, para o fato de que as Escrituras não ensinam em nenhum lugar que todos pecaram quando Adão pecou, nem que a culpa do seu pecado foi imputada a toda a raça humana (ver Rm 5.12 nota). A Bíblia ensina, sim, que Adão deu origem à lei do pecado e da morte sobre a totalidade da raça humana (5.12; 8.2; 1 Co 15.21,22).

3.7 CONHECERAM QUE ESTAVAM NUS. Quando Adão e Eva viviam em inocência moral (i.e., antes da queda), a nudez não era imoral, nem causava sentimento de vergonha (2.25). Depois que pecaram, no entanto, a consciência de estarem nus passou a associar-se ao pecado e à condição caída e depravada da raça humana. Por causa do mal que a nudez passaria a causar no mundo, o próprio Deus vestiu Adão e Eva (v. 21), e agora Ele ordena que todas as pessoas se vistam com pudor e modéstia (ver 1 Tm 2.9 nota).

3.8 ESCONDEU-SE ADÃO E SUA MULHER. A culpa e a consciência do pecado motivaram Adão e Eva a fugir de Deus. Tinham medo e constrangimento na sua presença, sabendo que tinham pecado e que estavam sob o desagrado de Deus. Nessa condição, viram que era impossível chegar à sua presença com confiança (ver At 23.1 nota; 24.16 nota). 
Em nossa condição pecaminosa, também somos semelhantes a Adão e Eva. Deus, no entanto, proporcionou um caminho para purificar nossa consciência culpada, para livrar-nos do pecado e nos restaurar à comunhão com Ele o caminho chamado Jesus Cristo (Jo 14.6). Mediante a redenção que Deus proveu através do seu Filho, podemos vir a Ele e receber o seu amor, misericórdia, graça e ajuda em tempo oportuno (ver Hb 4.16 nota; 7.25 nota).

3.13 A SERPENTE ME ENGANOU. Satanás provocou a queda da raça humana por meio do engano. Esse é um dos seus métodos principais de desviar as pessoas do caminho e da verdade de Deus. 

(1) A Bíblia ensina que Satanás engana e cega as mentes dos incrédulos neste mundo, para que não compreendam o evangelho (ver 2 Co 4.4 nota). 

(2) Conforme o ensino de Paulo, é através do engano satânico que certas pessoas da igreja crerão que poderão viver na imoralidade e, mesmo assim, herdar o Reino de Deus (ver 1 Co 6.9 nota; Gl 5.21 nota).

(3) O engano será o meio principal que Satanás usará para levar as massas à rebelião contra Deus no fim da história (2 Ts 2.8-12; Ap 20.8). (4) Todos os cristãos devem estar preparados para uma luta severa e contínua contra os enganos de Satanás, no que respeita à sua vida pessoal, casamento, lar, escola, igreja e trabalho (ver Mt 24.4,11,24; Ef 6.11 nota).

3.15 ESTA TE FERIRÁ A CABEÇA, E TU LHE FERIRÁS O CALCANHAR. Este versículo contém a primeira promessa implícita do plano de Deus para a redenção do mundo. Prediz a vitória final da raça humana e de Deus contra Satanás e o mal. É uma profecia do conflito espiritual entre a semente da mulher (i.e., o Senhor Jesus Cristo) e a semente da serpente (i.e., Satanás e os seus seguidores; ver v.1 nota). Deus promete aqui, que Cristo nasceria de uma mulher (cf. Is 7.14), e que Ele seria ferido ao ser crucificado, porém, ressuscitaria dentre os mortos para destruir completamente (i.e., ferir ) Satanás, o pecado e a morte, para salvar a humanidade (Is 53.5; Mt 1.20-23; Jo 12.31; At 26.18; Rm 5.18,19; 16.20; 1 Jo 3.8; Ap 20.10).

3.16-19 MULTIPLICAREI GRANDEMENTE A TUA DOR. O castigo imposto sobre o homem e a mulher (vv. 16-19), bem como o efeito do pecado sobre a natureza, tinham o propósito de relembrar à humanidade as conseqüências terríveis do pecado e de levar cada um a depender de Deus, com fé e obediência. O desígnio de Deus é que a raça humana seja redimida do seu presente estado de pecado e perdição. 

(1) A tentativa de Eva de ficar livre de Deus e de agir independente do seu marido, seria frustrada, surgindo em seu lugar um forte desejo pelo seu marido. A profunda atração que ela sentiria por Adão, e o governo dele sobre ela, -trariam aflições e sofrimentos, juntamente com alegria e bênçãos (1 Co 11.7-9; Ef 5.22-25; 1 Tm 2.11-14).

(2) Por causa da maldição que Deus pronunciou sobre a natureza, Adão e Eva enfrentariam adversidades físicas, pesado labor, lutas e, finalmente, a morte para si e para todos os seus descendentes.

3.20 CHAMOU ADÃO O NOME DE SUA MULHER EVA. Adão deu à sua esposa o nome de Eva , que significa vida , porque ela era a primeira mãe dos seres humanos, em todas as gerações.

3.22 SABENDO O BEM E O MAL. Adão e Eva tentaram igualar-se a Deus e determinar seus próprios padrões de conduta (ver v. 5 nota). O ser humano, através da queda, tornou-se até certo ponto independente de Deus, e começou a fazer o seu próprio julgamento entre o bem e o mal. 

(1) Neste mundo, o julgamento ou discernimento humano, imperfeito e pervertido, constantemente decide sobre o que é bom ou mau. Tal coisa nunca foi da vontade de Deus, pois Ele pretendia que conhecêssemos somente o bem, e para isso, dependendo dEle e da sua palavra. 

(2) Todos quantos confessam Cristo como Senhor, retornam ao propósito original de Deus para a humanidade. Passam a depender da palavra de Deus para determinarem o que é bom.

3.24 LANÇADO FORA O HOMEM. Adão perdera a perfeita comunhão que tinha com Deus. Agora foi posto fora do jardim e iniciou uma vida dependente de Deus, em meio ao sofrimento. Além disso, Satanás, devido à queda de Adão e Eva, passou a ter poder sobre o mundo, pois o NT, referindo-se a ele, Satanás, chama-o de príncipe deste mundo (Jo 14.30; 2 Co 4.4; 1Jo 5.19). Contudo, Deus amou a raça humana de tal maneira que decidiu derrotar Satanás. Deus faz isso, reconciliando o homem e o mundo com Ele, mediante a morte do seu Filho (ver v.15 nota; 2 Co 5.18,19; Rm 5.10; Cl 1.20; Jo 3.16; Ap 21.1-6).

Gênesis 2. Notas - Biblia de Estudo Pentecostal

2.3 E ABENÇOOU DEUS O DIA SÉTIMO. Deus abençoou o sétimo dia (i.e., o sábado) e o destinou, tanto como dia sagrado e especial de repouso, como um memorial do término de todas as suas obras criadas. Deus, posteriormente, fez do sábado um dia de bênção para seu povo fiel (Êx 20.8-11). Reservou-o para ser um dia de descanso, de culto, adoração e comunhão com Ele (Êx 16.27; 31.12-17; ver Mt 12.1 nota).

2.4 AS ORIGENS. Este segundo relato da criação (2.4-25) não contradiz o de 1.1 2.3. Ele explica com maiores detalhes a criação do homem e da mulher, o meio-ambiente deles e o seu período probatório. O cap. 2 apresenta os detalhes por assuntos, ao passo que o cap. 1 dá a ordem cronológica.

2.4 O SENHOR DEUS. Novo nome de Deus aparece em 2.4: o nome SENHOR (hb. IAVÉ, Javé ou Jeová). Elohim (1.1) é o nome genérico de Deus, que enfatiza sua grandeza e amor (ver o estudo A CRIAÇÃO), ao passo que SENHOR é o seu nome pessoal, pactual, através do qual Ele se revela ao seu próprio povo. Inerentes na revelação do nome de concerto de Deus, está a sua amorável benignidade, seu empenho redentor para com a raça humana e sua pronta e fiel presença com seu povo.
Esse nome pessoal aparece em situações nas quais Ele é visto em relacionamento direto com seu povo ou com a natureza. Quando os termos SENHOR Deus aparecem juntos, falam do Criador onipotente em concerto amoroso com a raça humana (vv. 9-25; Êx 6.6; Lv 11.44,45; Is 53.1,5,6; ver Êx 3.14 nota). (Nota do Redator. O termo português Senhor, em referência a Deus, traduz duas palavras bíblicas no hebraico: Jeová e Adonai. Como ajuda ao leitor, os editores da Bíblia convencionam grafar o referido termo só com maiúsculas [SENHOR], para significar Jeová, e o mesmo termo em minúsculas [Senhor], para significar Adonai, i.e., Deus como nosso Senhor, Dono, Amo, Possuidor)

2.7 ALMA VIVENTE. A outorga da vida aos seres humanos é descrita como o resultado de um ato -especial de Deus, para distingui-la da criação de todos os demais seres vivos. Deus comunicou de modo específico a vida e o fôlego ao primeiro homem, e assim evidenciou que a vida humana está num nível acima de todas as outras formas de vida, e que pertence a uma categoria à parte, e há uma relação ímpar entre a vida divina e a humana (1.26,27). Deus é a fonte suprema da vida humana.

2.8 UM JARDIM NO ÉDEN, AO ORIENTE. O jardim estava localizado perto da planície aluvial do rio Tigre (aqui chamado Hidéquel ) e do rio Eufrates (v. 14). Alguns acreditam que estava localizado na regiãocorrespondente ao atual sul do Iraque; outros sustentam que não há dados suficientes no relato bíblico (vv. 10-14) para a determinação do local específico.

2.9 A ÁRVORE DA VIDA. Duas árvores do jardim do Éden tinham importância especial. 

(1) A árvore da vida provavelmente tinha por fim impedir a morte física. É relacionada com a vida perpétua, em 3.22. O povo de Deus terá acesso à árvore da vida no novo céu e na nova terra (Ap 2.7; 22.2). 
(2) A árvore da ciência do bem e do mal tinha a finalidade de testar a fé de Adão e sua obediência a Deus e à sua palavra (ver v.16 nota). Deus criou o ser humano como ente moral capaz de optar livremente por amar e obedecer ao seu Criador, ou por desobedecer-lhe e rebelar-se contra a sua vontade.

2.15 E O PÔS NO JARDIM DO ÉDEN. Nesse tempo, Adão, o primeiro homem, era santo, livre do pecado, e vivendo em perfeita comunhão com Deus. Era o primor da criação de Deus e foi-lhe dada a responsabilidade de trabalhar sob as diretrizes de Deus, no cuidado da sua criação. Esse relacionamento harmônico entre Deus e a raça humana findou por causa da desobediência de Adão e Eva (3.6,14-19; Is 43.27; Rm 5.12).

2.16 E ORDENOU O SENHOR DEUS AO HOMEM. Desde o marco inicial da história, a raça humana tem estado vinculada a Deus, mediante a fé na sua palavra e a obediência à mesma, como a verdade absoluta. 
(1) A vida por meio da fé e obediência foi o princípio regedor da comunhão que Adão tinha com Deus no Éden. Adão foi advertido de que morreria se transgredisse a vontade de Deus e comesse da árvore da ciência do bem e do mal (v. 17). Este risco de morte tinha de ser aceito por fé, tendo por base aquilo que Deus dissera, posto que Adão ainda não tinha presenciado a morte humana. 
(2) O mandamento de Deus (vv. 16,17) a Adão foi um teste moral. Esse mandamento significou para Adão uma escolha consciente e deliberada de crer e obedecer, ou de descrer e desobedecer à vontade do seu Criador. 
(3) Enquanto Adão cresse na palavra de Deus e a obedecesse, viveria para sempre e em maravilhosa comunhão com Deus (ver o estudo FÉ E GRAÇA). Se pecasse e desobedecesse, colheria a ruína moral e a ceifa da morte (v. 17)

2.18 UMA ADJUTORA QUE ESTEJA COMO DIANTE DELE. A mulher foi criada para ser a amável companheira do homem e sua ajudadora. Daí, ela ser partícipe da responsabilidade de Adão e com ele cooperar no plano de Deus para a vida dele e da família (ver Ef 5.22 nota; Sl 33.20; 70.5; 115.9, onde o termo auxílio , referente a Deus, tem o mesmo sentido que ajudadora, em 2.18).

2.24 DEIXARÁ O VARÃO O SEU PAI E A SUA MÃE. Desde o princípio, Deus estabeleceu o casamento e a família que dele surge, como a primeira e a mais importante instituição humana na terra (ver 1.28 nota). A prescrição divina para o casamento é um só homem e uma só mulher, os quais tornam-se uma só carne (i.e., unidos em corpo e alma). Este ensino divino exclui o adultério, a poligamia, a homossexualidade, a fornicação e o divórcio quando antibíblico (Mc 10.7-9; ver Mt 19.9 nota).

Gênesis 1. Notas - Biblia de Estudo Pentecostal

1.1 NO PRINCÍPIO, CRIOU DEUS. A expressão No princípio é enfática, e chama a atenção para o fato de um princípio real. Outras religiões antigas, ao falarem da criação, afirmam que esta ocorreu a partir de algo já existente. Referem-se à história como algo que ocorre em ciclos perpétuos. A Bíblia olha para a história de modo linear, com um alvo final determinado por Deus. Deus teve um plano na criação, o qual Ele levará a efeito. Para comentários sobre Deus e o seu papel como Criador, ver o estudo A CRIAÇÃO Várias conclusões decorrem da verdade contida no primeiro versículo da Bíblia. 
 
(1) Uma vez que Deus é a origem de tudo quanto existe, os seres humanos e a natureza não existem por si mesmos, mas devem a Ele sua existência e a sua propagação. 
(2) Toda existência e forma de vida são boas se estão corretamente relacionadas com Deus e dependentes dEle. 
(3) Toda vida e criação pode ter relevância e propósito eternos. 
(4) Deus tem direitos soberanos sobre toda a criação, em virtude de ser seu Criador. Num mundo caído, Ele reafirma esses direitos mediante a redenção (Êx 6.6; 15.13; Dt 21.8; Lc 1.68; Rm 3.24; Gl 3.13 ;1 Pe 1.18)

1.2 A TERRA ERA SEM FORMA E VAZIA. Este versículo descreve, tanto o processo que Deus empregou para criar, como a ação do Espírito Santo na criação (ver o estudo A CRIAÇÃO)

1.3 HAJA LUZ. A palavra hebraica para luz é `or, e refere-se às ondas iniciais de energia luminosa atuando sobre a terra. Posteriormente, Deus colocou luminares (hb. ma`or, literalmente luzeiros , v.14) nos céus como geradores e refletores permanentes das ondas de luz. O propósito principal desses luzeiros é servir de sinais demarcadores das estações, dias e anos (vv. 5,14). Para comentários sobre o papel da palavra falada de Deus na criação, ver o estudo A CRIAÇÃO

1.4 ERA BOA A LUZ. Sete vezes Deus declara que aquilo que Ele criara era bom (vv. 4,10,12,18,21,25,31). Cada parte da criação por Deus efetuada, executou plenamente a sua vontade e propósito. Deus criou o mundo para revelar a sua glória e
 
para ser um lugar onde a raça humana pudesse compartilhar da sua alegria e vida. Note como Deus executou a obra da criação de conformidade com um plano e uma ordem:

1.5 E FOI A TARDE E A MANHÃ: O DIA PRIMEIRO. Essa identificação é repetida seis vezes neste cap. (vv. 5,8,13,19,23,31). A palavra hebraica para dia é yom. Normalmente significa um dia de vinte e quatro horas (cf. 7.17; Mt 17.1), ou a porção
 
em que há luz, nas vinte e quatro horas ( dia em contraste com noite , Jo 11.9). Mas também pode referir-se a um período de tempo de duração indeterminada (e.g., tempo da sega , Pv 25.13). Note-se que em 2.4, os seis dias da criação são designados como no dia . Muitos entendem que os dias da criação eram de vinte e quatro horas, pois sua descrição diz que consistiam em uma tarde e uma manhã (v. 5; Êx 20.11). Outros crêem que tarde e manhã simplesmente significa que uma determinada tarde encerrou algum ato específico da criação, e que a manhã seguinte iniciou novo ato.

1.7 A EXPANSÃO. A expansão , ou firmamento , refere-se à atmosfera posta entre a água na terra e as nuvens acima.

1.14 SEJAM ELES PARA SINAIS. Deus determinou que o sol, a lua e as estrelas servissem de sinais que conduzissem a Ele, além de regularem o andamento dos dias, estações e anos. A astrologia deturpou esses propósitos determinados para os
astros e urdiu o ensino falso de que os astros e planetas influenciam e orientam a vida das pessoas.

1.22 DEUS OS ABENÇOOU. Deus abençoou os seres viventes e declarou que a natureza e os animais eram bons (vv. 12,21,22). (1) Deus se deleitou na sua obra e lhe atribuiu valor. Da mesma forma, o crente deve considerar que a natureza, com sua beleza e seus animais, é algo de bom para se desfrutar e de imenso valor. (2) Embora a natureza agora esteja maculada pelo pecado,continua tendo grande valor como um meio de expressão da glória de Deus e do seu amor à raça humana (Sl 19.1). O crente deve orar pela libertação completa da criação, da sua escravidão do pecado e da sua degradação (Rm 8.21; Ap 21.1).

1.26 DISSE DEUS: FAÇAMOS. Esta expressão contém uma referência primeva ao Deus trino e uno. O uso da primeira pessoa do plural [ nós , oculto] indica que há pluralidade em Deus (Sl 2.7; Is 48.16). A revelação da característica trina e una de Deus só se torna clara, porém, quando chegamos ao NT (ver Mt 3.17 nota; Mc 1.11 nota).

1.26 FAÇAMOS O HOMEM. Nos versículos 26-28 lemos a respeito da criação dos seres humanos; 2.4-25 supre pormenores mais específicos a respeito da sua criação e do seu meio-ambiente. Esses dois relatos se completam e ensinam várias coisas. 
 
(1) Tanto o homem quanto a mulher foi uma criação especial de Deus, não um produto da evolução (v. 27; Mt 19.4; Mc 10.6). 
 
(2) O homem e a mulher, igualmente, foram criados à imagem e semelhança de Deus. À base dessa imagem,
podiam comunicar-se com Deus, ter comunhão com Ele e expressar de modo incomparável o seu amor, glória e santidade. Eles fariam isso conhecendo a Deus e obedecendo-o (2.15-17). 
 
(a) Eles tinham semelhança moral com Deus, pois não tinham pecado, eram santos, tinham sabedoria, um coração amoroso e o poder de decisão para fazer o que era certo (Ef 4.24). Viviam em comunhão pessoal com Deus, que abrangia obediência moral (2.16,17) e plena comunhão. Quando Adão e Eva pecaram, sua semelhança moral com Deus foi desvirtuada (6.5). Na redenção, os crentes devem ser renovados segundo a semelhança moral original (Ef 4.22-24; Cl 3.10).
 
(b) Adão e Eva possuíam semelhança natural com Deus. Foram criados como seres pes-soais tendo espírito, mente, emoções, autoconsciência e livre arbítrio (2.19,20; 3.6,7; 9.6). 
 
(c) Em certo sentido, a constituição física do homem e da mulher retrata a imagem de Deus, o que não ocorre no reino animal. Deus pôs nos seres humanos a imagem pela qual Ele apareceria visivelmente a eles (18.1,2,22) e a forma que seu Filho um dia viria a ter (Lc 1.35; Fp 2.7; Hb 10.5). 
 
(3) O fato de seres humanos terem sido feitos à imagem de Deus não significa que são divinos. Foram criados segundo uma ordem inferior e dependentes de Deus (Sl 8.5). 
 
(4) Toda a vida humana provém inicialmente de Adão e Eva (Gn 3.20; At 17.26; Rm 5.12).

1.28 FRUTIFICAI, E MULTIPLICAI-VOS. O homem e a mulher receberam o encargo de serem frutíferos e de dominarem sobre a terra e o reino animal. - 
(1) Foram criados para constituírem lares para a família. Esse propósito de Deus, declarado na criação, indica que Ele volta-se para a família que o serve e que a criação de filhos é algo de máxima prioridade no mundo (ver Ef 5.21 nota; Tt 2.4,5 nota; ver o estudo PAIS E FILHOS). 
(2) Deus esperava deles que lhe dedicassem todas as coisas da  terra e que as administrassem de modo a glorificar a Deus e cumprir o propósito divino (Sl 8.6-8; Hb 2.7-9). 
(3) O futuro da terra passou a depender deles. Quando pecaram, trouxeram ruína, fracasso e sofrimento à criação de Deus (3.14-24; Rm 18.19-22).
(4) É obra exclusiva de Jesus Cristo restaurar a terra à sua posição e função perfeitas, na sua vinda, no fim desta era (Rm 8.19-25; 1 Co 15.24-28; Hb 2.5-8; ver Ap 21.1 nota)

A CRIAÇÃO

A CRIAÇÃO



Gn 1.1 “No princípio, criou Deus os céus e a terra.

O DEUS DA CRIAÇÃO. 
(1) Deus se revela na Bíblia como um ser infinito, eterno, auto-existente e como a Causa Primária de tudo o que existe. Nunca houve um momento em que Deus não existisse. Conforme afirma Moisés: “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2). Noutras palavras, Deus existiu eterna e infinitamente antes de criar o universo finito. Ele é anterior a toda criação, no céu e na terra, está acima e independe dela (ver 1Tm 6.16 nota; Cl 1.16). 
(2) Deus se revela como um ser pessoal que criou Adão e Eva “à sua imagem” (1.27; ver 1.26 nota). Porque Adão e Eva foram criados à imagem de Deus, podiam comunicar-se com Ele, e também com Ele ter comunhão de modo amoroso e pessoal. 
(3) Deus também se revela como um ser moral que criou tudo bom e, portanto, sem pecado. Ao terminar Deus a obra da criação, contemplou tudo o que fizera e observou que era “muito bom” (1.31). Posto que Adão e Eva foram criados à imagem e semelhança de Deus, eles também não tinham pecado (ver 1.26 nota).
O pecado entrou na existência humana quando Eva foi tentada pela serpente, ou Satanás (Gn 3; Rm 5.12; Ap 12.9).

A ATIVIDADE DA CRIAÇÃO. 
(1) Deus criou todas as coisas em “os céus e a terra” (1.1; Is 40.28; 42.5; 45.18; Mc 13.19; Ef 3.9; Cl 1.16; Hb 1.2; Ap 10.6). O verbo “criar” (hb.“bara”) é usado exclusivamente em referência a uma atividade que somente Deus pode realizar. Significa que, num momento específico, Deus criou a matéria e a substância, que antes nunca existiram (ver 1.3 nota). 
(2) A Bíblia diz que no princípio da criação a terra estava informe, vazia e coberta de trevas (1.2). Naquele tempo o universo não tinha a forma ordenada que tem agora. O mundo estava vazio, sem nenhum ser vivente e destituído do mínimo vestígio de luz. Passada essa etapa inicial, Deus criou a luz para dissipar as trevas (1.3-5), deu forma ao universo (1.6-13) e encheu a terra de seres viventes (1.20-28). 
(3) O método que Deus usou na criação foi o poder da sua palavra. Repetidas vezes está declarado: “E disse Deus...” (1.3, 6, 9, 11, 14, 20, 24, 26). Noutras palavras, Deus falou e os céus e a terra passaram a existir. Antes da palavra criadora de Deus, eles não existiam (Sl 33.6,9; 148.5; Is 48.13; Rm 4.17; Hb 11.3). (4) Toda a Trindade, e não apenas o Pai, desempenhou sua parte na criação. 
(a) O próprio Filho é a Palavra (“Verbo”) poderosa, através de quem Deus criou todas as coisas. No prólogo do Evangelho segundo João, Cristo é revelado como a eterna Palavra de Deus (Jo 1.1). “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3).
Semelhantemente, o apóstolo Paulo afirma que por Cristo “foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis... tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1.16). Finalmente, o autor do Livro de Hebreus afirma enfaticamente que Deus fez o universo por meio do seu Filho (Hb 1.2). 
(b) Semelhantemente, o Espírito Santo desempenhou um papel ativo na obra da criação. Ele é descrito como “pairando” (“se movia”) sobre a criação, preservando-a e preparando-a para as atividades criadoras adicionais de Deus. A palavra hebraica traduzida por “Espírito” (ruah) também pode ser traduzida por “vento” e “fôlego”. Por isso, o salmista testifica do papel do Espírito, ao declarar: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus; e todo o exército deles, pelo espírito (ruah) da sua boca” (Sl 33.6). Além disso, o Espírito Santo continua a manter e sustentar a criação (Jó 33.4; Sl 104.30).

O PROPÓSITO E O ALVO DA CRIAÇÃO. Deus tinha razões específicas para criar o mundo. 
(1) Deus criou os céus e a terra como manifestação da sua glória, majestade e poder. Davi diz: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1; cf. 8.1). Ao olharmos a totalidade do cosmos criado — desde a imensa expansão do universo, à beleza e à ordem da natureza — ficamos tomados de temor reverente ante a majestade do Senhor Deus, nosso Criador. 
(2) Deus criou os céus e a terra para receber a glória e a honra que lhe são devidas.

Todos os elementos da natureza — e.g., o sol e a lua, as árvores da floresta, a chuva e a neve, os rios e os córregos, as colinas e as montanhas, os animais e as aves — rendem louvores ao Deus que os criou (Sl 98.7,8; 148.1-10; Is 55.12). Quanto mais Deus deseja e espera receber glória e louvor dos seres humanos! 
(3) Deus criou a terra para prover um lugar onde o seu propósito e alvos para a humanidade fossem cumpridos. 
(a) Deus criou Adão e Eva à sua própria imagem, para comunhão amorável e pessoal com o ser humano por toda a eternidade. Deus projetou o ser humano como um ser trino e uno (corpo, alma e espírito), que possui mente, emoção e vontade, para que possa comunicar-se espontaneamente com Ele como Senhor, adorá-lo e servi-lo com fé, lealdade e gratidão.
(b) Deus desejou de tal maneira esse relacionamento com a raça humana que, quando Satanás conseguiu tentar Adão e Eva a ponto de se rebelarem contra Deus e desobedecer ao seu mandamento, Ele prometeu enviar um Salvador para redimir a humanidade das conseqüências do pecado (ver 3.15 nota). Daí Deus teria um povo para sua própria possessão, cujo prazer estaria nEle, que o glorificaria, e que viveria em retidão e santidade diante dEle (Is 60.21; 61.1-3; Ef 1.11,12; 1Pe 2.9). 
(c) A culminação do propósito de Deus na criação está no livro do Apocalipse, onde João descreve o fim da história com estas palavras: “...com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21.3).

CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO. A evolução é o ponto de vista predominante, proposto pela comunidade científica e educacional do mundo atual, em se tratando da origem da vida e do universo. Quem crê, de fato, na Bíblia deve atentar para estas quatro observações a respeito da evolução. 
(1) A evolução é uma tentativa naturalista para explicar a origem e o desenvolvimento do universo. Tal intento começa com a pressuposição de que não existe nenhum Criador pessoal e divino que criou e formou o mundo; pelo contrário, tudo veio a existir mediante uma série de acontecimentos que decorreram por acaso, ao longo de bilhões de anos. Os postulantes da evolução alegam possuir dados científicos que apóiam a sua hipótese. 
(2) O ensino evolucionista não é realmente científico. Segundo o método científico, toda conclusão deve basear-se em evidências incontestáveis, oriundas de experiências que podem ser reproduzidas em qualquer laboratório. No entanto, nenhuma experiência foi idealizada, nem poderá sê-lo, para testar e comprovar teorias em torno da origem da matéria a partir de um hipotético “grande estrondo”, ou do desenvolvimento gradual dos seres vivos, a partir das formas mais simples às mais complexas. Por conseguinte, a evolução é uma hipótese sem “evidência” científica, e somente quem crê em teorias humanas é que pode aceitá-la. A fé do povo de Deus, pelo contrário, firma-se no Senhor e na sua revelação inspirada, a qual declara que Ele é quem criou do nada todas as coisas (Hb 11.3). 
(3) É inegável que alterações e melhoramentos ocorrem em várias espécies de seres viventes. Por exemplo: algumas variedades dentro de várias espécies estão se extinguindo; por outro lado, ocasionalmente vemos novas raças surgindo dentre algumas das espécies.
Não há, porém, nenhuma evidência, nem sequer no registro geológico, a apoiar a teoria de que um tipo de ser vivente já evoluiu doutro tipo. Pelo contrário, as evidências existentes apóiam a declaração da Bíblia, que Deus criou cada criatura vivente “conforme a sua espécie” (1.21,24,25). 
(4) Os crentes na Bíblia devem, também, rejeitar a teoria da chamada evolução teísta. Essa teoria aceita a maioria das conclusões da evolução naturalista; apenas acrescenta que Deus deu início ao processo evolutivo. Essa teoria nega a revelação bíblica que atribui a Deus um papel ativo em todos os aspectos da criação. Por exemplo, todos os verbos principais em Genesis 1 têm Deus como seu sujeito, a não ser em 1.12 (que cumpre o mandamento de Deus no v. 11) e a frase repetida “E foi a tarde e a manhã”. Deus não é um supervisor indiferente, de um processo evolutivo; pelo contrário, é o Criador ativo de todas as coisas (Cl 1.16).

Fonte: Biblia de Estudo Pentecostal

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