23 de fev de 2010

A relevância da Escola Dominical para a Igreja na pós-modernidade

A relevância da Escola Dominical para a Igreja na pós-modernidade

O texto abaixo foi produzido para um Seminário de Obreiros, ocorrido nos dias 9 e 10 de novembro de 2002, na cidade de Campo Mourão (PR). O evento foi promovido pela Quinta Região Eclesiástica da CIEADEP  (Convenção das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus no Estado do Paraná), e não está de acordo com a Nova Ortografia e nem sofreu nenhuma revisão, mantendo até mesmo o contato que possuía no Estado do Paraná. Sua finalidade é instrumentalizar os internautas amantes da Escola Dominical que por aqui passam. 

INTRODUÇÃO

A fusão dos “mundos” contemporâneo e moderno, deu origem ao que os sociólogos chamam de pós-modernidade. Apesar do título dessa nossa reflexão ser uma obviedade, as tendências mundiais “valorativas” da pós-modernidade têm nos surpreendido, e muitas vezes, não temos fundamentação teórico-bíblica para refutarmos os modismos e separarmos o “joio do trigo”, ou seja, nos tornamos extremamente “modernos” para algumas áreas minimalistas e periféricas, e nos esquecemos de questões arteriais de primeira grandeza.
Em todas as épocas e em qualquer organização ou civilização, o ensino jamais foi desprezado e esquecido, essa regra se deve ao fato de que, o sucesso ou insucesso de qualquer uma delas, depende diretamente da educação dos seus membros ou povos.
A educação para os judeus era uma das questões basilares, mesmo porque ela foi instituída por Deus: “Guardai-os, pois, e fazei-os, porque esta será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que ouvirão todos esses estatutos e dirão: Só este grande povo é gente sábia e inteligente” (Dt 4.6).
No versículo supra, observa-se a “preocupação” de Deus em atrair outras nações através dos princípios educacionais que visavam regimentar e comportamentalizar a vida do seu povo, nas esferas: espiritual, religiosa, social, moral, afetiva etc.
É importante frisar que a educação desde aquela época se dividia em dois principais momentos: Informal (Dt 6.6-9, 20-25) e formal (Dt 1.5; 30.10; 31. 11-13).


  • Educação informal ? Surgiu primeiro, ocorre espontaneamente, é a que mais nos ensina, pois é “onipresente”. Aqui entra a nossa preocupação, ou seja, informalmente nós, nossa família e a igreja, somos “educados” nas conversas, no colégio, na faculdade, nos relacionamentos diários (com crentes e “não crentes”), através do rádio, televisão e internet, nas leituras de jornais, revistas, livros etc. Enfim, o meio ambiente nos é apresentado com uma grande “sala de aula”, e se não soubermos (permita-me a repetição) separar o “joio do trigo”, com certeza os nossos padrões religiosos e familiares serão (se é que já não estão) degenerados.



  • Educação formal ? Compreende o ensino laico e o religioso. No nosso caso, estamos nos referindo a Educação Cristã e seus principais locais de difusão: Seminários, faculdades teológicas e a Escola Dominical. Sendo esta última o objeto do nosso estudo, visto que é o local onde todos ? crentes e “não crentes” ?, sem distinção de idade ou nível escolar, encontram o ensino da Palavra de Deus acessível ao seu entendimento.
Nessa oportunidade enfocaremos somente (possui muito mais) oito relevantes dimensões de atuação da Escola Dominical dentro do contexto de algumas das principais tendências mundiais da pós-modernidade.1
I – RELEVANTE PORQUE É UM DECRETO DE DEUS
Relevante é tudo aquilo que se destaca dentro de um mesmo as, ou seja, um tema é importante mas existe uma de suas partes que se sobressai, que é “saliente”, dizemos então que esta parte é relevante.
Dentro da Educação Cristã, segundo a nossa visão, a Escola Dominical é relevante porque cumpre cabalmente o decreto do Senhor e seu principal ideal, conjugando as duas maiores ordenanças dadas por Jesus Cristo, as quais são: evangelizar e ensinar (cf. Mt 28.19,20; Mc 15.15,16). E nesse aspecto, nenhuma instituição de ensino religioso da face da terra está mais habilitada do que a Escola Dominical, ela é a principal agência de Educação Cristã que a Igreja dispõe, contemplando todas as pessoas indistintamente.

 Alguém poderá dizer: “Mas a Escola Dominical não possui mais de 224 anos, e como pode ser um decreto de Deus?”
A resposta é simples. Pastor Antonio Gilberto diz que a Escola Dominical, como a temos atualmente, é uma instituição moderna, mas tem suas raízes aprofundadas na antiguidade do Antigo Testamento, nas prescrições dadas por Deus aos patriarcas e ao povo de Israel. Portanto, a Escola Dominical nos moldes que a possuímos hoje não havia mesmo, mas havia o princípio fundamental ? o do ensino bíblico determinado por Deus aos fiéis e aos povos ao seu redor. “Sempre pesou sobre o povo de Deus a responsabilidade de ensinar a lei divina”.
Dessa forma, a Escola Dominical é simplesmente a “fase atual da instrução bíblica milenar que sempre caracterizou o povo de Deus” (Antonio Gilberto, 1999).
A ordem de Jesus Cristo foi obedecida e praticada pela Igreja primitiva: “E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo” (At 5.42, grifo meu).

Todo o sucesso da Igreja primitiva estava consignado na obediência a ordem do Senhor, pois nada é melhor do que seguir “a risca” o plano do Mestre.
No último trimestre do ano 2000, abordamos esse assunto em um artigo publicado na revista Ensinador Cristão (CPAD) Nº4, e transcrevemos um trecho para a nossa reflexão:
Depois do mandato do nosso Senhor Jesus Cristo à Grande Comissão (da qual eu e você fazemos parte): “Portanto, ide ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém!” Mt 28.19,20, ficou subentendido que os discípulos são ensinadores.
Independentemente dos diferentes dons concedidos pelo Supremo Mestre (Ef 4.11), a Grande Comissão deve ser homogênea na tríplice tarefa de evangelizar, discipular (ensinar) e batizar. Este tripé não é para a Igreja algo opcional, é uma ordem imperativa e compulsória.
(…) A parte “a” do versículo 20 diz “ensinando-as a guardar todas as coisas que vos tenho mandado…” As “coisas” às quais o Senhor Jesus se refere, tratam de Doutrinas da Salvação, que são as mais fáceis de se entender (Glória a Deus por isso).

Porém, há algumas coisas que merecem ser analisadas antes de sairmos a discipular. Dentro dessa linha de doutrina, existem outras ramificações que formam a Soteriologia (estudo sistemático das verdades bíblicas que tratam da salvação, regeneração, justificação, adoção e santificação do ser humano com base na obra vicária de Cristo). Na atual realidade, é inviável o comissionado sair para sua missão, sem antes se preparar e obter o devido conhecimento do plano de salvação estipulado por Deus desde a queda do homem (2000, p.12).
II – RELEVANTE PORQUE PROMOVE A COESÃO DOUTRINÁRIA

Este é um assunto de quinta-essência, pois dele depende não só a subsistência da comunidade evangélica, mas também a sua própria salvação.
A igreja de Corinto vivia dissensões de níveis e proporções diferentes, no entanto, a de maior intensidade estava relacionada a questões doutrinárias, ou seja, cada um via as coisas de seu jeito (1 Co 1.17-31; 2.1-16; 3.18-20 e 4.5).
O mesmo assunto é inferido em outros dois versículos que se encontram na segunda epístola aos Coríntios. O curioso é que a mesma palavra de recomendação que o apóstolo dá no início da primeira epístola, é reiterado no antepenúltimo versículo da segunda carta, isso indica a importância do assunto: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer” (1 Co 1.10, grifo meu).
“Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco” (2 Co 13.11, grifo meu).

Ninguém aqui está sugerindo que todos devam ser iguais, o próprio apóstolo Paulo reconhecia que deveria haver diversidade entre os irmãos (1 Co 12.12-27), não obstante, após exemplificar o valor dos membros do “corpo místico”, assevera; “para que não haja divisão no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros” (1 Co 12.25).
A única forma de sermos todos de um mesmo parecer é nos reunir e aplanarmos as arestas das nossas diferenças doutrinárias, e isso só se consegue quando estudamos a Bíblia paulatinamente, isto é, toda a igreja discutindo concomitantemente na mesma hora o mesmo assunto.

Um dos grandes problemas enfrentado atualmente, refere-se aos mega-eventos. Pregadores que na empolgação, emitem determinada palavra no afã de ver o povo vibrar, e após receberem seus vultuosos “cachês”, vão embora deixando o rastro de seus aleijões doutrinários. A posição de liderança ocupada por um pregador é de extrema importância, e como tal, ele passa a ser um formador de opiniões que nortearão a vida de muitas pessoas.
Desnecessário seria dizer, que nem sempre o pregador avivalista deixa de conjecturar, o que para o membro menos avisado (principalmente se ele admira o pregador) pode soar como verdade bíblica, causando não poucos prejuízos a sã doutrina.
Com esse exemplo, queremos dizer que a questão em apreço só pode ser resolvida com muito amor e paciência, mas, ao mesmo tempo, com determinação e rigorosidade (Ef 4.14).
No plano bíblico jamais devemos aceitar pluralidade doutrinária acerca de um mesmo assunto. Se abrirmos mão dessa peculiaridade especial, logo nos descaracterizaremos, transformando-se em “Babel” indecifrável, onde ninguém mais se entenderá.

Em nota explicativa da Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), Donald Stamps comenta sobre o seguinte texto: “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Am 3.3); escreve o teólogo: “Nenhuma comunhão genuína pode existir entre duas pessoas, no terreno espiritual, a não ser que ambas concordem entre si quanto as verdades fundamentais. Não podemos, portanto, ter qualquer relacionamento autêntico com Deus, senão aceitarmos a sua palavra, e concordarmos com ela. É impossível alguém se dizer crente, e ao mesmo tempo, não crer na Palavra de Deus” (1999, p.1300).
III – RELEVANTE PORQUE HABILITA O CRENTE PARA O SERVIÇO CRISTÃO
A Escola Dominical, ao contrário do que muita gente pensa, é uma instituição dinâmica, onde o crente é incentivado a fazer missões.
Quando o apóstolo Paulo fala de cinco ministérios dados por Deus à Igreja (Ef 4.11), ele nos esclarece que esses são necessários não apenas para servir, mas principalmente para formar o povo de Deus para um propósito especial (Ef 4.12). O último ministério (doutores ou mestres) está diretamente relacionado com a Escola Dominical e têm em vista um objetivo nobre que é o “aperfeiçoamento dos santos”. Para quê? Só para sermos perfeitos? Não, mas “para [efetuarmos] a obra do ministério”; e “para edificação do corpo [Igreja] de Cristo”, pois “crente que não trabalha só dá trabalho!”

Através da Escola Dominical podemos fazer um amplo trabalho de missões, para isto, basta obedecermos a ordem expressa do Senhor Jesus (Mt 28.19,20). Ele mesmo nos deu exemplo e foi o primeiro a acreditar na idéia de um ensino universal que abarcasse todas as nações. É de bom alvitre, ressaltar que o texto sugerido para leitura, deixa implícita uma “grade curricular” extensa e continuada tal qual possuímos na Escola Dominical, pois afinal de contas, devemos ensinar não apenas algumas partes da Bíblia, mas “todas as coisas”.

Não seria exagero afirmar que o segredo do crescimento exponencial experimentado pela Igreja primitiva, se deu pelo fato dos primeiros crentes serem não só amantes, mas estudiosos e professores da Palavra de Deus (At 5.42), vemos claramente isso em textos como o de Atos 6.7: “E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande partes dos sacerdotes obedecia a fé” (grifos meus).
Observamos nesse texto sagrado que “crescia a Palavra de Deus”, ou seja, a cada dia Ela tinha mais prioridade na didática vivencial dos apóstolos. Outro fator importante que destacamos, é que diferentemente do “valor” que atualmente atribuímos ao ensino, os cristãos primitivos sabiam que o ministério do ensino, não é um ministério da mediocridade e nem da simples adição, mas de transformação e multiplicação (cf. At 12.24 e 19.20).
Isso significa que se a Escola Dominical tiver primazia para trabalhar a Palavra de Deus com os alunos, com certeza a conscientização acerca da obra missionária se dará naturalmente, e como em qualquer outra escola que forma pessoas, não será diferente, pois esse é o grande objetivo do ensino.
O apóstolo Paulo sabia que o ensino é um ministério da multiplicação, tanto que ao enviar sua segunda carta a Timóteo, uma de suas recomendações foi que, o conhecimento que o jovem pastor havia adquirido do apóstolo, fosse então ensinado a outros, que por sua vez deveriam ser fiéis, ou seja, não retentores, para também ensinar a outros, e assim sucessivamente num interminável “efeito dominó” (2 Tm 2.2).
No livro Manual de Ensino para o Educador Cristão (CPAD), o grande professor e catedrático, Howard Hendricks, diz: “Nenhum ser humano está completamente cônscio do poder residente no ensino. Toda a vez que alguém ensina, desencadeia um processo que, idealmente, nunca acaba” (1999, p.6).

IV – RELEVANTE PORQUE A MULTIPLICIDADE RELIGIOSA NÃO É MAIS UM DADO2
A afirmação de que a multiplicidade religiosa não é mais dado, e sim um fato, é comprovada pelas estatísticas que neste ano3 indicaram os cristãos evangélicos como o segundo maior grupo religioso do país, com mais de 26 milhões de adeptos, e o que mais cresce. A informação é do IBGE, e foi divulgada em 8 de maio de 2002, por ocasião da publicação da Tabulação Avançada do Censo Demográfico 2000.
Isso muito nos agradou, tanto que nos mobilizamos no intuito de eleger o presidente da República que pertence ao nosso grupo. Apesar da boa vontade, nosso intento foi frustrado e despertou-nos para novamente lembrar que essa cifra considerável de “evangélicos” está dividida entre pentecostais, tradicionais e até seitas que agem dissimuladamente sob o manto do evangelicalismo. Todas essas estão arroladas no levantamento, até porque as pessoas que fazem o censo, em sua maioria não são evangélicas e entendem do assunto tanto quanto “sabem de física nuclear” ? em outras palavras não entendem nada! Para eles quem usa terno é pastor e quem não é católico ou espírita, e carrega um livro preto é evangélico. Lembre-se que os mórmons e as testemunhas de Jeová andam com um livro preto, e estão entre os 26 milhões.
 Outro fator que confirma a multiplicidade religiosa, é a realidade que hoje presenciamos e que era totalmente diferente há apenas uma década. Cidades de 25 mil habitantes possuía cerca de uma igreja para cada 5 mil. Atualmente, existem, para cidades desse porte, cerca de 20 igrejas, ou seja, uma para cada 1.250 habitantes.4
O que é isso? A descoberta de um mercado alternativo? Falta de conhecimento bíblico? Obsessão por liderar? Megalomania?
De fato podemos dizer que todas essas questões e mais algumas que fogem do nosso conhecimento.
Muitos cristãos estão sendo apanhados por chavões do tipo: “Todos os caminhos levam a Deus”; “Placa de igreja não salva ninguém”, e com isso cresce a cada dia mais a “cachoeira de igrejolas” desprovidas de compromissos com a Palavra de Deus.

A idéia de que “igreja não importa, o que importa é o coração”, está fazendo diferença na hora das pessoas optar por membrar em alguma (O termo “membrar”, substituiu o correto que é conversão, palavra esta que está relacionada a renúncia). Por exemplo, a pessoa que quer sair do catolicismo, mas não quer deixar algumas práticas ritualísticas, encontrará, sem problemas, igrejas que possuem liturgias sincréticas. Outra pessoa gosta de igreja onde o cântico tenha prioridade, com certeza não só encontrará igrejas assim, como poderá, até pelo seu gosto musical, optar pelo ritmo que mais lhe agrada!
Estamos vivendo uma verdadeira confusão, onde o principal critério para se fundar uma igreja, é atender o gosto de determinado grupo e com isso “cultuarem” à sua maneira.
Um certo pastor, pioneiro da obra no estado dizia: “O que segura ovelha não é a cerca, mas o pasto!”
Dessa afirmação depreendemos que a maneira mais correta e segura de defendermos os nossos membros do fator opcional, é assegurar o estudo metódico da Palavra de Deus através da maior agência de Educação Cristã que a Igreja possui: A Escola Dominical.
V – RELEVANTE PORQUE O RELATIVISMO E A BANALIZAÇÃO DA SALVAÇÃO E DO PECADO AMEAÇAM NOSSOS PADRÕES
O relativismo e a banalização do pecado e da salvação são tendências seculares que na pós-modernidade encontraram terreno fértil para crescer e se propagar.

O mais nocivo de toda essa problemática é a questão da descaracterização do povo de Deus. Estamos perdendo nossos padrões porque existe uma cultura altamente relativista que apregoa que não existem verdades absolutas, e enfatiza somente assuntos de interesses fechados.
Na cultura relativista cada um é “dono do seu nariz”, e mais ninguém tem obrigação de prestar contas à outrem.
Com essa atitude procura-se ridicularizar o que determina a Igreja, bem como as orientações das lideranças.
As pessoas dizem que ninguém manda em suas vidas, e alegam que “pagam” o dízimo e isso deve ser o bastante para a Igreja. Mas, vejam que “devolver” o dízimo não é nenhuma virtude, e sim obrigação do crente (Mt 23.23 e Lc 11.42)!
Uma das tendências mundiais que contribui para o aumento do relativismo e para a banalização do pecado e da salvação, é o secularismo.
O secularismo é o que em linguagem acadêmica conhecemos por humanismo, isto é, a valorização do homem como a “medida de todas as coisas”, como centro de todo o Universo. Secularismo também seria tudo que se refere ao plano material, ao mundanismo.
Diante dos perigos desses discursos secularistas, é fato que não mudaremos essa realidade, mas temos que, ao menos, advertir a comunidade cristã que está sob a nossa responsabilidade.
É bom lembrar, que a maneira dissimulada como essas idéias valorativas nos chegam aos sentidos, não são facilmente perceptíveis, por isso, temos que nos cuidar para não começar a achar “comum” o pecado, e acabar aceitando-o não mais como uma atitude de rebeldia, mas como uma “oportunidade de aprender” (essa é atualmente a desculpa para quem peca).
Os conceitos doutrinários, e demais preceitos, tradições e autoridade, foram banidos da visão cultural pós-moderna, as pessoas adquiriram uma postura autônoma, ou seja, tornaram-se autodeterminadas e acham que possuem poder para dar a si mesmas, as normas, regras etc. Tudo em contraposição a postura cristã heterônoma, que recebe de Deus os princípios, normas, regras e leis.

Dessa forma, fica fácil entender porque cristãos ao serem contestados por qualquer conduta ou postura não-recomendável, respondem com argumentações “privativas” do tipo: “Cada um tem seu jeito”; “a minha fé não alcança”; “isso é coisa do passado”; “hoje as coisas mudaram, os tempos são outros”.
Outra característica do secularismo pós-moderno, é a banalização do pecado. Só para se ter uma idéia, dia desses, diversas revistas estampavam como manchete central: “Como tirar proveito do pecado”; “O sucesso está em pecar”.
Não é difícil encontrarmos crentes que vivem a questionar (evidentemente influenciado): “Se Deus sabia que o homem iria pecar, então porque o criou?” Esse tipo de interrogação é uma tentativa de justificar seu pecado, pois tudo que é proibido é “desejado”.
A banalização da salvação, ou em outras palavras, o minimalismo que a reduz à trivialidade, a barateação e sucateação as custas do sacrifício alheio. Isso pode ser visto em mensagens positivistas, que dizem sem o menor ressentimento, que nós não precisamos fazer mais nada, que “Jesus já fez tudo”, e que quem estiver nos planos de Deus para ser salvo será, pois o profeta Jonas gritou do inferno (Jn 2.2), e Deus ainda o salvou não é mesmo?
VI – RELEVANTE PORQUE NOS ADVERTE SOBRE OS MALEFÍCIOS DO EXTREMISMO
Uma outra tendência que tem atingido o evangelicalismo, não só no Brasil, mas também em escala mundial, é o extremismo exacerbado, o que fatalmente tem provocado uma polarização. Em outras palavras, os cristãos dividiram-se em dois grupos causando rupturas, julgamentos prematuros e acusações entre si, que não se justificam por nada.
Um dos dons que precisamos pedir ao Senhor com veemência é o de discernimento, pois ouvimos muitas vozes e mensagens de todas as formas, e é claro que não podemos seguir todas elas. Não obstante, na era pós-moderna em que vivemos, as mudanças acontecem em uma velocidade sem igual. Você deve se lembrar de obreiros que pregavam contra determinadas coisas, chegando a excluir pessoas que se foram da Igreja, e nesse ínterim passaram para a eternidade sem Deus. No entanto, hoje esses “zelosos” incidem naquilo que tanto condenavam. E agora? E as pessoas que foram excluídas e partiram sem Cristo?

Por essa causa, o dom de discernimento ? que é a capacidade de julgar as coisas corretamente ? deve ser buscado com fervor, só assim saberemos quando as mudanças são determinadas por Deus (Hb 8.7,13), e quando são levadas a efeito pelos homens afim de benefício próprio (Rm 1.25).
Sabemos que existem pessoas simpatizantes de ambos os grupos extremistas, os quais são: “Fanáticos legalistas” e “Liberais inconseqüentes”.
Logicamente que haverá pessoas interessadas em “abrir” uma igreja para atender a demanda e os gostos dos dois grupos, porém o que deve prevalecer é o que a Palavra de Deus institui como Ética Cristã.
A Ética Cristã são valores absolutos que valem “para todas as pessoas, em todas as épocas e em todos os lugares”, e como as duas formas de extremismo traz em seu bojo uma lista de “pecadinhos” e “pecadões” , devemos ficar atentos e com nossas lentes cristãs de observação (cosmovisão) para não confundirmos verdades bíblicas com verdades culturais e/ou específicas.
Gosto muito de um epigrama citado por Jonh Stott5: “Em coisas essenciais, unidade; nas não essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade”.
Finalizo dizendo que precisamos do Dom de discernimento para identificar os males do extremismo, e uma das maneiras é o estudo da Palavra de Deus, na principal agência de Educação Cristã que a Igreja possui:
Do qual muito temos que dizer, de difícil interpretação, porquanto vos fizestes negligentes para ouvir.
Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento.

Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino.
Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal (Hb 5.11-14, grifos meus).

VII – RELEVANTE PORQUE FUNCIONA COMO “APARELHO IDEOLÓGICO DA IGREJA”6
Em tempos controvertidos como esse da pós-modernidade, um dos principais benefícios da Escola Dominical, é que ela pode funcionar como “Aparelho Ideológico” , e assim, estar alinhavando a Igreja para toda e qualquer eventualidade.

No meio educacional do ensino laico, a escola é pejorativamente chamada de “Aparelho Ideológico do Estado”. Com isso, os cientistas da Educação estão dizendo, que a escola serve para a preservação do status quo, e para manter os políticos capitalistas no poder.
Entretanto, para nós, a Escola Dominical deve ser usada como um aparelho ideológico a fim de manter os bons princípios bíblicos, coesão doutrinária, a manutenção da koiononia, para equacionamento dos muitos problemas que surgem e que venham a surgir etc.
E isso não é para nós algo ruim, pois a Igreja primitiva vivia sob a orientação ideológica dos apóstolos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At 2.42).7
O Dicionário Teológico (CPAD), de autoria do pastor Claudionor de Andrade, diz, que doutrina vem “do latim doctrina, do verbo docio, ensinar, instruir, educar” (1998, p.128).

A Igreja primitiva “perseverava” no conteúdo ensinado pelos apóstolos, que é fator primordial para o bom funcionamento da obra.
Evidente que nesse ensino pode ser repassado bons costumes que devemos preservar, isso é bíblico (Ef 2.10), e devemos até ter cuidado em achar que os costumes são conceitos adiáforos, isto é, assuntos não essenciais à fé cristã, pois, no cômputo geral o acúmulo pode resultar em muita coisa. Inicia-se com “um pouquinho disso não faz mal”, “um pouquinho daquilo outro também não”, e quando nos dermos conta ? em sua totalidade ? essas “coisinhas” já atingiram o núcleo doutrinal do Cristianismo.
Por isso, não esqueçamos que “não havendo sábia direção, o povo cai, mas, na multidão de conselheiros, há segurança” (Pv 11.14).
VIII – RELEVANTE PORQUE PROPICIA O AUTÊNTICO E GENUÍNO AVIVAMENTO8
Todos os grandes avivamentos, ou reavivamentos, registrados na Bíblia e até mesmo na História, são resultado direto de uma renovada proclamação da Palavra de Deus e da obediência a Ela.

Basta uma “olhadela” na Bíblia e na História, e constataremos que “barulho” sempre foi efeito e não causa.
Leia Neemias, capítulo 8, versículos 1 a 12.
CONCLUSÃO
Para fazer valer a relevância da Escola Dominical na Igreja, precisamos ter, pelo menos, três requisitos:


  • Professores qualificados;



  • Ensino de qualidade;


  • Lugar apropriado para estudar.
E sobre tudo isso dedicação, é o que nos diz a Palavra de Deus, “(…) se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b, grifo meu), que inclui estudo, oração, zelo etc. De outra forma jamais os membros sentirão vontade de ir a Escola Dominical, e o prejuízo com certeza será coletivo.
NOTAS

1. Esse texto parte do pressuposto de que a sua Escola Dominical possui qualidade, ele visa somente o despertamento de todos sobre a importância da ED. Para outros assuntos temos palestras específicas em nosso curso intitulado SEED (Seminário de Escola Dominical). Contatos (44) 9105 – 0690.
2. Estamos falando de “Multiplicidade Religiosa” sem a abrangência heterogênea que contempla as seitas. Restringimo-nos a abordar somente o Evangelicalismo e grupos dissidentes.
3. Novembro de 2002.
4. Dados estatísticos do município de Goioerê (550 quilômetros de Curitiba), cidade interiorana que possui um perfil bem ameno em comparação com pequenas cidades de Estados como São Paulo e Rio de Janeiro onde a realidade é bem pior.
5. Rupert Meldenius, citado por Richard Baxter e reproduzido por Jonh R. W. Stott in Cristianismo Equilibrado, CPAD. Rio de Janeiro, 1.ed., 1982, p.15.
6. O texto integral desse aspecto da Escola Dominical, está em nosso livro Marketing para a Escola Dominical, a ser lançado pela CPAD.

7. Aqui cabe uma breve explicação da diferença entre “doutrina” e “costume”: “Doutrina bíblica é o “conteúdo da fé cristã”. Ao contrário dos costumes, concebidos ao gosto de cada povo de acordo com sua etnia, a doutrina é uniforme, a mesma em todos os lugares, para todas as pessoas, em todos os tempos. É o ensino bíblico normativo, terminante, final, derivado das Sagradas Escrituras, como regra de fé e prática de vida, para a Igreja através de seus membros. É o ensino sistematizado de um assunto bíblico, de fé e prática. A sistematização de uma doutrina bíblica inclui a devida referenciação bíblica e conceituação continuada do ensino em vista” (Obreiro, 1995).
8. Para maiores esclarecimentos sobre esse assunto leia na Revista Ensinador Cristão (nº 9, jan/março 2002; pp. 44 a 47) o nosso artigo Conhecimento precede avivamento.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 7.ed. Rio de Janeiro: CPAD,.1998.
AYRES, Antônio Tadeu. Reflexos da Globalização sobre a Igreja. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

CARVALHO, César Moisés. Revista Ensinador Cristão. Artigo: Ensino/Aprendizagem – Responsabilidade Recíproca. Ano 1. Nº 4. Rio de Janeiro: CPAD, Out/Nov/Dez, 2000.
BUENO, Francisco da Silveira. Minidicionário da Língua Portuguesa. Editora FTD S. A., São Paulo, 1996.
GILBERTO, Antonio. Manual da Escola Dominical. CPAD, Rio de Janeiro. Edição Atualizada e Ampliada, 1999.
Revista Obreiro. Artigo: O que é doutrina?, ano 16, nº 65, Rio de Janeiro: CPAD, Abril/Maio de 1995.

STOTT, Jonh R. W. Cristianismo Equilibrado. CPAD, Rio de Janeiro. 1ª ed., 1982.
__________________, Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Revista e Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
__________________, Apostila da 3ª Conferência de Escola Dominical da CPAD. 06 a 08 de Setembro de 2001, Curitiba – PR.
__________________, Apostila do 1º Seminário de Escritores Evangélicos. Rio de Janeiro: CPAD, 30 de Junho a 02 de Julho de 1999.
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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrina

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